Alberto da Costa e Silva

                                                TEXTO DE ALBERTO DA COSTA E SILVA

 

                      Há um quarto de sécuto, viajando de navio da Argentina para os Estados Unidos, José Suares recolheu numerosas imagens do Brasil, algumas das quais se mostram nesta expesiçao. Apenas cerca de vinte e cinco se passaram desde que, com sua máquina, captou estes flagrantes, mas as imagens que nos doa já estao impregnadas de passado. Veja-se, por exemplo, esta admiravel fotografía da Praça Paris, no Rio de Janeiro, com a folhagem das amendoeiras a se recortarem nitidamente no céu, logo no prímeiro plano, e os jardins franceses a se alongarem ate a massa de edifícios tao distinta da que hoje vemos quanto a atual rua do Livramento daquela por onde passeou Machado de Assis. Alguns desses prédios ainda existem. Outros, come o do Senado Federal, já despareceram. Os canteiros do jardim foram substituidos por novos. O perfil das edificaçoes alterou-se inteiramente com o crescimento vertical da cidade. Tude isso faz com que nao possamos olhar esta fotografía sem um sentimento de saudade de alguém que fomos em paisagens que só guardam alguns traços daquelas que outrora vivemos. E essa sensaçao de passado que há nas fotos do Río de Janeiro -onde aparecem os bondes abertos, propicios a cisma e a conversa, numa cidade que nao havia ainda aderido a eficiencia da pressa – assalta­nos tambén diante das imagens de Sao Paulo, de Eelém do Pará, de Santos e de Salvador. Mas se as fotos de José Suares sáo, neste sentido, históricas -e o sao noutro, ao fixarem a ansiosa expectativa da chegada de imigrantes japoneses- possuem tambén uma intemporal permanencia. Aquí estao as folhas, es frutos, os contornos e a luz de um Brasil de sempre. Aqui estao imagens que já vimos retratadas antes -de águas, de árvores, de barcos, de cestos e de gente- nos gravuras e desenhos do século XIX, por Debret, Landseer, Biard, Rugendas. Pois José Suarez nao  buscou apenas documen­tar alguns instantes, no que tem de vida e movimento, mas procurou tambem ser anti-rereacliiano, ao mostrar o incessante fluir de renovadas aguas é o que dá identidade e permanencia ao rio. José Suarez sabia de eternidades. E de esséncias. Esséncia e eternidade que deu a certa folha de bananeira ao vento e a certo homem que fala com um papagaio, como, do mesmo modo e com a mesma simplicidade, já nos tinha imposto, com sua foto mais famosa, uma imagem imutável de Miguel de Unamuno, para sempre sentado, as maos no joelho, indiferente aos dias e liberto da morte, tendo ao longo, sob o sol, os campos de Castela.

 

                                                       Alberto da Costa e Silva

 

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